Surja, Surja, grande dragão,
Destrua, destrua a ilusão,
Suja, suja podridão,
Onde a cicuta, ejacula profanação
*
Cicuta de água imunda,
Que despeja à desonra,
E nos covardes inunda
O ódio à honra;
*
Sodoma renascida;
Putrefação da carne reerguida,
Pederastia reconstruída;
A virtude destruída,
*
Imunda, Imunda civilização,
Sem valores, sem valoração,
Onde pregam o conformismo
Baseado no Imbecialismo,
*
Óh grande Dragão
Surja na imensidão,
E acabe com este mundo
Primitivo e imundo;
*
Os homens de virtude
Ainda resistindo na vicissitude,
Sofrendo nos caminhos oprimidos,
Carregando as chagas dos desmerecidos;
*
Monumento à hipocrisia,
Monumento à apostasia,
Monumento à epifania
Carregada de fantasia
*
Apostasia aos valores,
Fantasia dos investidores,
A hipocrisia do ser
Em seu espírito prender;
Wagner Correia
28 de junho de 2003
domingo, 29 de abril de 2012
Surgimento
sábado, 28 de abril de 2012
Olhos cintilantes esverdeados
Olhos cintilantes esverdeados,
Lábios sutilmente desenhados,
Branco rutilante embalsamado,
Belo relutante exacerbado;
*
Cabelos negros, como a noite
Mesclam-se ao branco, como açoite,
Rutilando a luz do seu rosto
Ao meu em oposto;
*
Luz inebria minha mente,
Aquece minha dor incandescente,
Envolve minha razão,
Sufoca meu coração;
*
Fantasia, se torna dor,
Dor, se torna horror,
Horror, se torna furor,
Furor, se torna amor.
*
II
Amor ao mundo intocável,
Platonismo incalculável,
Lembrança do belo,
Dor e amor, é o elo;
*
Elos que separam os mundos:
Mundo dos covardes imundos,
Mundo das idéias e do material,
Nosso mundo em espiral;
*
Poucos são os valorosos,
Não só os hipócritas saudosos,
Mas os poderosos virtuosos,
Que sofrem em ambos mundos opostos;
*
Olhos cintilantes esverdeados,
Vejo os sepulcros desenhados,
Clamo aquela onde justiça é hospedeira:
Elfa, Valquiria a Deusa guerreira.
Wagner Correia
Sábado, 4 de Janeiro de 2003
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Desejo Mórbido
Lua cheia cobre-me como véu,
E meu ódio edifica-se até o céu.
Inolvidável prazer obscurecido,
Do amor mórbido reaparecido.
Prurido do prazer na vulva infecta,
Objeto da carne com a língua se detecta.
*
Pobres mortais pela carne escravizados,
Na vaidade sendo ópios obstinados,
O poder sepulcral que dominam na disputa,
Em suas mentes inerentes na carne de uma puta,
Em que fazem guarida das frustrações numa vulva;
*
Uma bela dama da qual teu belo corpo desejo,
Tua silhueta e teu sangue, almejo,
Usar-te-ia somente como apetrecho,
Sentir o ventre adentro, enquanto olha-me com horror,
E rasgar-te, ver teu sangue rubro escorrer em tua dor;
*
Sejas seduzida mais uma noite, no calor dos seus hormônios,
Sejas uma vítima sem cérebro, induzida pelos vários pseudônimos,
Estereótipos medíocres, mas que vulgares se atraem,
Em tuas realidades cheias de máculas que se esvaem.
*
Enojem-se de mim seres inferiores,
Mesmo que de atroz seja meu ato,
Os meus atos diante de tuas vidas ainda são superiores,
Mas tuas tristes mentes fogem ao fato
De que os próprios mortais ainda são os destruidores;
*
Vivam no medo de ir ao inferno,
Vivam no engodo de ir ao céu
E alcançarem o paraíso eterno,
E a dor da ilusão cobrir como um véu.
*
Mortais descartáveis, os uso,
Faço o que quero e depois fora os jogo,
Somente quem merece sou obtuso.
E no ódio em que punirei faço julgo
Mortais de grande espírito pouparei,
Morram lutando de pé, pois se ajoelhados, pisarei!
*
Wagner Correia
14 de março de 2001
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Chuva Seca
Ando sozinho vago pela terra,
Nada conforta meu coração
Nem mesmo minha quimera;
Nesse devaneio sem fim,
Nesse escárnio da vida em mim,
Nada conforta a imensidão;
Alimenta-se de forma sutil,
Do meu sonho infantil.
*
Amor imortal que mata o meu ser,
Saia de mim, deixe-me viver!
Mesmo que venha a sofrer...
...só quero andar sem parar,
...Sem rumo, sem lugar ou fim.
*
Destino, guia-me e indica-me
O caminho do qual seguir,
E dizei-me o seguinte porvir
Do que fazerdes no fim;
Nessa caminhada de ilusões,
Nesse comboio de desilusões,
Na cruzada no abismo de vastidão,
Imensidão, precipício de sonhos.
*
Na ponta do precipício estou a olhar,
Nos sonhos estou a me jogar;
Nesta última esperança intrínseca,
Inerente ao meu infeliz sonhar;
Nessa chuva fria e seca,
Que faz o horto de sonhos regar.
*
Essas linhas não dizem nada,
Esse fraseado ilusório não representa nada,
Este sonho por esta busca,
Essa Deusa que me persegue
Nos meus sonhos de noite,
Não diz nada só está à atormentar.
*
Parem! Eu vos imploro, deixe-me viver sem isso;
Se é que isto é viver...
Apenas me deixem em paz!
O que querem dizer através de sonhos?
Em ilusões belas ou pesadelos enfadonhos?
Até em meu lar vêem à assombrar;
Deixem-me só, como nasci, como vivi,
Como sofri, como senti em mim...
Se é que isto é querer...
*
Na linhagem que termina,
Nesse ódio que fulmina,
Nessa tempestade de chuva seca;
Chuva de agulhas em meu peito,
Desafiando o meu preito
E que a minha única defesa
Tenho as palavras por escrever,
Onde exponho o que sinto,
E ninguém entende!
Só comenta e não compreende.
Wagner Correia
23 de abril de 2001
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Soneto da Vitória contra a Chama da Vingança
A chama da vingança tentava vencer,
Glórim mesmo fraco, ainda tinha poder,
Usava toda magia que conhecia, para não perder,
Pois nunca para a escuridão, iria se render.
*
Travava uma luta intensa em sua mente,
Deveria concentrar-se, tirar ódio e dor.
Pensar no valor que se foi veemente,
E destruir a Chama com furor.
*
Lembrava-se dos momentos felizes,
Tirando de sua mente coisas tristes.
Apaga a Chama, vem a derrota da escuridão.
*
Sentia a maldição e por onde se manifestava,
Dor e ódio eram por onde a Chama inflamava.
Agora estava livre do ódio e da maldição.
Wagner Correia
15 de dezembro de 2000
Soneto da Chama da Vingança
Glórim e os guerreiros, pelas terras ermas,
Vagaram combatendo, na imensidão das trevas,
Mesmo que não seguissem ordens, nem regras,
Estavam os Bersekeres, juntos nessas guerras.
*
Todos guiados pela vingança.
A escuridão lança sua chama,
A chama da vingança,
Uma maldição que com ódio inflama.
*
A Chama da Vingança queimava.
O ódio dentro deles inflamava.
Uma maldição que neles era inerente.
*
Glórim mesmo com tanto poder,
A si lutava, tentando se conter.
Mas a chama em si era contundente.
Wagner Correia
15 de dezembro de 2000