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domingo, 8 de janeiro de 2012

Um Plebeu

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Sei que não sou o único em sua vida
Mas não é isso que me intriga
E sim que sou um pobre plebeu,
Que busca a felicidade que se perdeu.
*
Vejo tantos nobres que disputam sua mão,
Mas é o que custa sonhar com o coração.
Sonhar de um infeliz e simples plebeu,
Poderia eu sonhar com o amor que desapareceu?
*
Cada instante que ouço sua voz bela,
Sinto-me envolto na mais plena realeza;
Mas o que eu posso esperar dela?
Uma Deusa tão refinada de beleza!
*
Um plebeu disputando o amor da princesa;
Ah, tudo parecem contos de fantasias!
Mas em mim tudo são apostasias;
Um plebeu e seu passado de tristeza.
*
Minha vida exterior pode ser de um plebeu,
Mas em  meu interior falta a simplicidade,
Possui força, mas o poder se excedeu,
E agora no exterior quer mostrar felicidade.
*
Fico infeliz em não poder ainda te ver,
Mais ainda em não poder te ter.
Não sei porque ainda tenho esperanças,
Nem sei se tenho mais lembranças.
*
Lembranças de um dia ter sido feliz em vida
Não me recordo, não consigo pensar em mais nada
Apenas nesta Deusa, mas não acredito em Fada!
E sim nesta princesa da fantasia, com amor seduzida.
*
Não quero perder-te jamais,
Mesmo que muitos lutem mais,
Estarei sempre ali te querendo,
E por sonhar, te amando.

Wagner Correia
29 de Janeiro de 2001

domingo, 25 de dezembro de 2011

A Face do Anjo Obscuro

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Caminho entre um corredor escuro,
Ouço sons sepulcrais do obscuro;
Observo uma imagem que parece me sondar,
A face de um anjo oculto do meu sonhar.
        *
Súbito ao olhar essa imagem desaparece!
Será um sonho ou realidade? Não é o que parece!
Lentamente caminho em frente
Mas hei que me vejo a cair
E por muito que tento,
Deste abismo não consigo sair.
        *
Mas por uma bruma leve e suave,
Parece me levar a um vale;
E em meio ao meu frenesi,
Meus olhos veem algo carmesim!
Alguém com um vestido de tussor,
E de pleno gesto com furor,
Caio em um chão frio e árido;
E ao vestido, volto-me, a vê-lo ávido!
        *
Vejo que é uma face familiar;
Oculta por sombras,
Mas vejo mesmo em penumbras
Ficando à minha visão a similar,
Ao anjo oculto do meu sonhar!
        *
Parece ser um anjo,
Que atrás das sombras
E das brumas,
Seu rosto encanta!
E esvai-se com um gesto,
O obscuro corredor funesto.
        *
Vejo-me envolto em brisas
E por um segundo estou junto dela;
O que fazes com minha dor que te inspiras?
Pergunto e olho em sua face bela;
Madrigal a silhueta do seu rosto!
A visão que tinha antes era o oposto.
                *
Pergunto o que queres de mim?
Apenas olha-me e estende sua mão;
Avidamente toco em sua mão,
E inda obscura minha alma, talvez possa ser o fim!
Sua mão suave envolve-me junto com sua utópica face,
E a escuridão ante seu rosto, era apenas um disfarce.
        *
Enfim ela me conduz como uma deusa ao Elísio,
Uma fina névoa cobre um jardim;
Parece-me não ser nada fictício,
Ela então toca minha face
E de um gesto sem fim,
Beija-me suave!
E descubro que ela era meu anjo dos sonhos;
Ali ela é uma deusa que procurei na vida
Em longos e obscuros corredores enfadonhos,
Mas encontrei-a ali, na passagem da vida.

 

Wagner Correia
12 de Fevereiro de 2001

domingo, 18 de dezembro de 2011

O Ballet da Fada

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I
Sempre passo por um lugar,
Onde vejo uma bailarina dançar;
Dança tão doce e suave como uma fada,
Como se tivesse pisando no nada.
        *
É tão grande sua beleza
Que faz com que não tenha a certeza,
Se realmente existe ou é uma ilusão
Criada pelos sentimentos do coração;
        *
Pela janela, a olho atento,
Ao mesmo tempo que lamento,
Pois ela nem sabe que existo
E nem mesmo sabe o que sinto;
        *

II
Uma Fada como ela não pode me ver,
Pois não sou um príncipe encantado,
Sou o sapo que não a posso ter;
           Acabando enfeitiçado,
Com seu Ballet de Fada, que mal posso entender,
           Ficando ali, apaixonado,
Sem nem mesmo se mexer,
           Ficando ali, frustrado;
        *
A chuva cai forte sobre mim
E da janela aprecio sua dança,
Nesse encanto sem fim;
Sem mais a temperança,
Pois é grande o amor em mim,
          Fadado na esperança,
De tocar seu vestido carmesim,
          E resgatar do amor a lembrança,
        *

III
Sempre paro para olhar
Quando passo por essa janela,
Mesmo que a chuva venha molhar
Nem vejo nada, só ela...
        *
Mas hoje meu coração quebrou
Quando a Fada parou de dançar,
Pois veio outro e a beijou,
Devia ser seu amado, que parecia amar...
        *
Não como o sapo, que sempre a amou
Mesmo sabendo que ela nunca me amaria,
Pois nunca me enxergou;
         Era apenas o sapo que a bela nunca beijaria
        *

IV
E continuei todos os dias a olhar,
O Ballet da Fada observar;
Sabendo que o amar era o sonhar
Até os dias da minha vida acabar,
        *
Mas o Ballet da Fada... iria continuar...


Wagner Correia
13 de maio de 2000