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sábado, 28 de abril de 2012

Olhos cintilantes esverdeados

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        I

Olhos cintilantes esverdeados,
Lábios sutilmente desenhados,
Branco rutilante embalsamado,
Belo relutante exacerbado;
        *
Cabelos negros, como a noite
Mesclam-se ao branco, como açoite,
Rutilando a luz do seu rosto
Ao meu em oposto;
        *
Luz inebria minha mente,
Aquece minha dor incandescente,
Envolve minha razão,
Sufoca meu coração;
        *
Fantasia, se torna dor,
Dor, se torna horror,
Horror, se torna furor,
Furor, se torna amor.
        *

       II

Amor ao mundo intocável,
Platonismo incalculável,
Lembrança do belo,
Dor e amor, é o elo;
        *
Elos que separam os mundos:
Mundo dos covardes imundos,
Mundo das idéias e do material,
Nosso mundo em espiral;
        *
Poucos são os valorosos,
Não só os hipócritas saudosos,
Mas os poderosos virtuosos,
Que sofrem em ambos mundos opostos;
        *
Olhos cintilantes esverdeados,
Vejo os sepulcros desenhados,
Clamo aquela onde justiça é hospedeira:
Elfa, Valquiria a Deusa guerreira.


Wagner Correia
Sábado, 4 de Janeiro de 2003

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Vôo do Dragão II

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                         I

1    Atravesso o marfim!
1    O que deparo?
2    Somente o fim!
1    Está claro?
2    Talvez sim!
1    Que enfaro!
1    Porque comigo?
2    Tu és teu inimigo!
        *
1    Não sou meu inimigo!
2    Mas não sois vosso amigo!
1    E quem se importa?
2    A velha morta!
1    Que velha? È uma charada?
2    Não, apenas a velha amada!
1    Ora, que velha? Que amada?
2    Meu caro, tua esperança sem morada!
        *
1    Por que se importa com mortais?
2    Por mares do vosso coração aportais!
2    Mesmo que do velho porto enfadonho,
2    Por bruma, avistas campo risonho;
1    Um interlúdio enganador,
1    Que só me causa dor!
2    E tu mataste,
2    Que de longe amaste!
        *
1    Não me importo!
1    A esperança logo corto!
2    Compreendo teu açoite,
2    Mas de breve vem à noite
2    Que cai sobre teu coração,
2    E toma tua alma, (a escuridão)!
2    O Sol Negro, um eclipse sombrio
!
1    Sim, é quando perco o brio!
        *
1    Quando rio afluente, (a solidão),
1    Arrebata e deságua, (a depressão),
2    Na mácula em teu peito!
2    Uma fábula em teu leito!
1    Uma mácula não criada por mim,
1    Nem fábula imaginada de belo fim!
2    Confesse! Este deleite que faz,
2    Onde nisto tu és sagaz!
                *
1    Não faço deleite nem lamúria!
2    Mas tu adorais esta penúria!
1    Ora se agradas assim,
1    Por que então atravesso o marfim?
2    Porque lhe foi dito a fazer!
2    Tudo que tu fazes é preciso dizer!
1    Claro! Preciso de referências,
1    Para não cair-me em inconsistências!
       

                                  II

2    Achavas o tempo só o que vos faltastes?
1    Achava, até deparar o outro lado!
2    Não era o que vós esperastes?
1    Ledo engano o meu achar malogrado!
2    Frustrado, (sob nuvens escuras), tu, voavas!
1    Não mais! O Dragão fora sepultado!
2    Morrestes na passagem da muralha,
2    E perdestes a mensagem desta batalha!
            *
1    Mas que batalha? Que mensagem?
1    Não vejo nada apenas o fim!
1    Cansei-me de tal imagem,
1    Não queria que acabasse assim!
2    Tua esperança não quer assim,
2    Por isso em ti ela quer viver,
1    Ela alimenta-se do meu sofrer!
1    É cruel e não sai de mim;
            *
2    Não basta que fracassastes com o Dragão?
2    Ainda queres alimentar a destruição?
1    A esperança sempre engana com a ilusão,
1    De ter-me paz um dia no coração;
2    Não! Em ti nunca enganaste,
2    E a mensagem que ignoraste
2    Dizia para morreres tu, lutando,
2    Do que para deixares tu, sonhando.
            *
2    Sois a vós quem engana,
2    És tua dor leviana
2    Que causas a ti o não pensar;
2    Não deixes a dor te lançar
2    Para deserto vazio
2    Onde o nada és sombrio;
1    A dor é muito forte
1    Impulsiona-me a morte,
            *
1    Como resistir poderei?
1    Da dor maior que terei
1    Ao reviver a esperança,
1    Contudo, sem temperança?
2    Deveis aprender a virtude,
2    Para que em ti, dor mude
2    Em força que não ilude
2    E que dentro de ti ajude.

                  *
1    Afinal, quem você é?
2    Imagines que sou tua fé!
1    Não pode ser!
2    Teu orgulho não deixas ver!
1    Acabou! Deixe-me partir!
2    Apenas começou, há muito por vir!
1    Deixe bela morte me buscar!
2    Não vos deixeis, ela, a ti ofuscar;

Wagner Correia
12 de Fevereiro de 2002

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A esperança fria em minha noite

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De noite no frio ártico
Envolto em estrelas,
Está meu coração apático
Na esperança de compreendê-las,
Contentando com mais uma noite platônica,
Em minha quietude nirvânica
*
Olhar, observar, desejar.
Querer, poder, almejar,
Apenas olhe! Não toque!
Mesmo que o querer o enforque;
Assim diz a timidez,
Tomando-me de uma só vez;
*
O frio nutre minha esperança,
Sarcástica sendo na temperança,
A bela jovem a me aquecer
E por minutos, a dor, esquecer;
Mas a melodia já não me agrada
E o medo retoma sua morada;
*
O tempo passa, o frio amordaça,
A Lua transpassa, a solidão abraça;
O coração pulsa, o frio se expulsa,
A dor pulsa, ao anjo em repulsa;
Ao céu da noite vou clamando,
No véu taciturno que vai velando,
*
Em resposta... O silêncio platônico
O anjo com seu dizer irônico:
Alimento o seu querer!
Desejo o seu silêncio romper!
Mas não diz por onde começar,
Deixando-me com o medo de falhar;
*
Esperando a noite acabar,
E outro dia monótono começar,
Ficando somente uma lembrança:
A noite fria de esperança!
Preso atrás da parede transparente:
Vejo o eldorado em minha frente!

 

Wagner Correia
18 de maio de 2002

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Desejo Mórbido

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Lua cheia cobre-me como véu,
E meu ódio edifica-se até o céu.
Inolvidável prazer obscurecido,
Do amor mórbido reaparecido.
Prurido do prazer na vulva infecta,
Objeto da carne com a língua se detecta.
*
Pobres mortais pela carne escravizados,
Na vaidade sendo ópios obstinados,
O poder sepulcral que dominam na disputa,
Em suas mentes inerentes na carne de uma puta,
Em que fazem guarida das frustrações numa vulva;
*
Uma bela dama da qual teu belo corpo desejo,
Tua silhueta e teu sangue, almejo,
Usar-te-ia somente como apetrecho,
Sentir o ventre adentro, enquanto olha-me com horror,
E rasgar-te, ver teu sangue rubro escorrer em tua dor;
*
Sejas seduzida mais uma noite, no calor dos seus hormônios,
Sejas uma vítima sem cérebro, induzida pelos vários pseudônimos,
Estereótipos medíocres, mas que vulgares se atraem,
Em tuas realidades cheias de máculas que se esvaem.
*
Enojem-se de mim seres inferiores,
Mesmo que de atroz seja meu ato,
Os meus atos diante de tuas vidas ainda são superiores,
Mas tuas tristes mentes fogem ao fato
De que os próprios mortais ainda são os destruidores;
*
Vivam no medo de ir ao inferno,
Vivam no engodo de ir ao céu
E alcançarem o paraíso eterno,
E a dor da ilusão cobrir como um véu.
*
Mortais descartáveis, os uso,
Faço o que quero e depois fora os jogo,
Somente quem merece sou obtuso.
E no ódio em que punirei faço julgo
Mortais de grande espírito pouparei,
Morram lutando de pé, pois se ajoelhados, pisarei!
*

 

Wagner Correia
14 de março de 2001

sábado, 7 de janeiro de 2012

De cima de um prédio

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Observo até o limite da visão,
...em cima de um prédio, no topo...

Entre meus dedos tenho uma rosa,
vermelha, rubra da cor do meu sangue,
que escorre por entre os dedos.
Um espinho furou-me,
e transpassou-me,
dói muito, mas não por fora,
o corte é pequeno não aparenta nada,
súbito sobe-me uma raiva,
induz-me a jogar a rosa,

...de cima do prédio, no topo...

Quase não há vento,
então posso observar atento,
a rosa a cair,

...de cima do prédio, do topo...

Uma gota de sangue a cair,
junto a rosa quando a jogo,
o sangue a cair,

...de cima do prédio, do topo...

a rosa a cair,
em um devaneio sem fim.
o sangue a cair, a rosa cair,
minha vida a Cair, a Dor a emergir,
observo a rosa cair,
cada vez mais longe,
distante, e o sangue escorre.
Ainda a vejo cair,
sem ao meu olhar fugir,

...de cima do prédio, de um topo...

existem pessoas abaixo,
em direção a elas,
...a rosa a cair,
no mesmo tempo em que
meu coração bate,
a rosa por fim cai,
e alguém assiste de longe,
a queda da rosa,

...de cima do prédio, do topo...

uma dama pega a rosa,
sente seu perfume inebriante,
e olha para cima,

...para cima o prédio, o topo...

ao longe me olha,
em um gesto, convida-me a devolver
a rosa que caiu,
ainda posso ver mesmo ao longe,
a rosa e a mulher,
e rutilantes raios de luzes entre ambas,
a rosa que caiu e a dama que sorriu,
desenhando em mim o amor inda,
permanecido pela esperança ainda.
Talvez pegue a rosa de volta,
talvez a cheire novamente,
mas meu sangue escorreu,
caiu e ninguém percebeu,
esvaiu-se no ar.
Precisa sacrificar,
derramar sangue,
para anular este fadário.
Irei, para a rosa pegar,
a rosa que caiu,

...de cima de um prédio, do topo...

e convidar a dama,
de um gesto tão generoso,
a comigo apreciar,
o horizonte até o limite da visão,
e talvez me animar,

...de cima de um prédio, no topo...

e ter em minhas mãos,
a rosa,
e também entre minhas mãos,
outra mão,
de pele lisa igual à seda
e ali ficar,
observar,
e a solidão
a jogar,

...de cima de um prédio, do topo...

para onde ninguém possa alcançar.

Wagner Correia
7 de fevereiro de 2001

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Esquecimento do Mundo

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Onde está o salvador?
Em estado de torpor?
Dormindo em tecidos de tussor?
Justos esbravejam com furor?
Ou ao som de gemidos de dor?
Gritos de esperanças de amor?
*
Dogmas ensinam!
Em esperança viver;
Doutrinas procriam!
Na hipocrisia do ser;
Homens incitam!
No questionar reter.
*
Pessoas destroem
Os sonhos dos justos,
Ao custo que constroem
O egoísmo dos injustos,
Nem de perto condoem
O coração de muitos.
*
Quantos mais devem morrer?
Quantos mais devem sofrer?
Quanto mais a ignorância
Pode o fraco corromper?
Quanto mais a insignificância
Pode ao amor distorcer?
*
A carne escraviza,
A paixão banaliza,
O EGO enfatiza;
A compaixão individualiza,
Ao sofrimento que martiriza,
O sofrer que o Dogma preconiza.
*
Milênios não há de bastar
Para o salvador acordar?
Do sono profundo,
Do esquecimento do mundo,
Para então o Apocalipse chegar
E o egoísmo e a ganância erradicar.
*                   
Enquanto isso só nos resta esperar,
Ate lá nossa luta não pode cessar,
Para assim os antigos lutarem
E seus nomes esbravejarem,
Aos covardes mortais,
Que não perderemos jamais!

 Wagner Correia
10 de setembro de 2001

domingo, 1 de janeiro de 2012

Estátua Inalcançável

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Tantas dores, senão no sofrer!
Das guaridas dos eloqüentes,
Os gananciosos descontentes,
Exasperados! Senão no viver!
        *
Fizeram-me mausoléus de dores;
Estátua de pedra fria,
O estóico bardo de elegia,
Talhando pedras em meus amores.
        *
Esperar o que da Fortuna, senão a dor,
Essa vida nada tem, nada tevê!
Clamar a Eros esse alento, senão o amor.
        *
Afrodite enche-me de nula esperança,
E minha maldição não deteve,
Tornei-a uma estátua que ninguém alcança.
        *


Wagner Correia
06 de Julho de 2001

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Fagulha nas Geleiras

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Vagando por entre geleiras,
No frio em minhas desdenhas,
Fugindo do frio da imensidão,
Imergindo o brio na solidão;
*
Caminho por uma prisão sem muros,
Em meio à neve fria destes mundos,
Onde a dor congela-me,
E o pesar sufoca-me.
*
No mais absoluto abismo de mim,
Acredito no supremo ardor em mim
Que em terras distantes acredito existir;
Como uma pequena fagulha por expandir,
Na esperança acesa, a dor do sentir;
*
Estou preso à espera da certeza
De libertar-se dessas geleiras,
E na visão tornar-se clareza,
De converter-se das tristezas;
*
Minha amada haverá de surgir da imensidão,
Ante a fagulha em mim;
Cobrindo-me com seu furor, o frio no coração,
O a-mor reacendido enfim;
E a dor da solidão, entronizar seu fim!

Wagner Correia
20 de março de 2001

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Triunfo Próximo

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Súbito chega a morte,
Fito-a para que conforte
A ira e a dor da vida,
Do abismo de solidão inda.
        *
Chegou atrasada...
A alma já estava apagada,
Apenas veio buscar a carcaça
E cobrir de vermes esta carapaça.
        *
Finalmente liberto,
Meu trono perto;
Agora sim todos sentirão o obscuro.
        *
Deuses comigo devastarão a terra
Trazendo um mundo obscuro que logo desperta;
A estes seres imundos daremos o escuro.

 

Wagner Correia
15 de dezembro de 2000

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Soneto da Vitória contra a Chama da Vingança

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A chama da vingança tentava vencer,
Glórim mesmo fraco, ainda tinha poder,
Usava toda magia que conhecia, para não perder,
Pois nunca para a escuridão, iria se render.
        *
Travava uma luta intensa em sua mente,
Deveria concentrar-se, tirar ódio e dor.
Pensar no valor que se foi veemente,
E destruir a Chama com furor.
        *
Lembrava-se dos momentos felizes,
Tirando de sua mente coisas tristes.
Apaga a Chama, vem a derrota da escuridão.
        *
Sentia a maldição e por onde se manifestava,
Dor e ódio eram por onde a Chama inflamava.
Agora estava livre do ódio e da maldição.

 

Wagner Correia
15 de dezembro de 2000