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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O fim é o inicio e é o fim do inicio…

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É o que resta...

Sonhar e imaginar que em algum dia no passado, em outras vidas, algum lugar, algum momento... estive com minha companheira, minha dama e amada.

Aquele momento em que você olha a Lua cheia e altiva no céu, apenas vê corpos na noite, carne profana e ímpios a dominarem os quatro cantos da noite e percebe o quanto a cidade está cheia de gente mas vazia de amor.

Onde o ser humano prefere doar todo seu carinho, amor e afeto para um cão ou coelho, rato ou animal do que para o próximo, para crianças, adultos e até mesmo um simples "boa noite" ou "olá" não se é dado mais nesta cidade grande de enfermidade espiritual. As vezes a dor é a libertação, o sofrimento aproxima mais da complexidade do EU, e assim, elevarmos nossa fé da dor para a prática em nos mesmos do perdão e compaixão pelo processo de superação e aprendizado; apenas martirizar a dor e se tornar um viciado emocional do drama e da dor é um buraco negro do qual não tem saída, nem luz.

Quando você descobre mulheres pregando morais, falando de amor e tentando formar opiniões quando na verdade são infiéis, saem com homens casados por pura paixão e emoção, escravas de joguetes emocionais e sentimentais, vivem da emoção. Algumas tentam vender a imagem de puritanas e colocam suas falhas e culpa nos homens, nos demais e nunca em si mesma quando deixa de escolher aquela pessoa que não tem a segurança emocional que pensa ter, ou mesmo por puro medo no desconhecido, no arriscado e incerto foge para sua zona de conforto e fica próximo daquilo que mais lhe convém “garantias”. Traem seus namorados e noivos, e em menos de um ano arrumam outro e fazem o mesmo, não por que são pessoas más, mas apenas porque são o que são: normais. Na primeira briga já deixam outros procurarem-na, elogiarem e massagearem seu ego, apenas pelo simples fato de saber que ainda a desejam e sempre terá um “plano b”, uma segunda opção da qual ainda tem suas garantias até chegar aos trinta anos e começar apitar o relógio biológico e o desespero bater. Vivem e proclamam abertamente sua independência, mas reclamam da solidão e carência quando todos os demais planos, desmandos, pessoas hipócritas e amizades de uma noite de curtição e bebidas já não lhes preenchem nada. Começam uma busca louca pelo homem ideal, pelo par perfeito e passam a reclamar e voltar novamente no ciclo infinito em espiral ao inferno. E sempre existirão, pois no pós-modernismo existem homens que nutrem tais criaturas femininas e são acometidos em suas teias emocionais, talvez procurando apenas uma carne ou corpo na noite em troca do profano, do fácil e prazer imediato. Presas fáceis em suas próprias teias de desejos.

Por isso hoje celebro minha morte, celebro o fim dessa busca eterna. Desse malogrado e enfadonho conto sem fim. E em forma de prosa, escrevo sem mais melodias, sem mais rimas ou poesia. A poesia morreu com aquele homem Arturiano que outrora entonava cantigas de amor galego.

Hoje celebraremos a morte de um Trovador que buscava sua amada e sem sucesso, morreu tentando manter viva a esperança de que um dia poderia ter encontrado. Celebramos mais um Dom Quixote entre milhões já mortos pelos Titãs que subiram ao Olimpo e de lá expulsaram os deuses.

Não conseguiu viver tempo suficiente para ver o castigo dos ímpios, enquanto mil caiam a sua direita e outros dez mil à sua esquerda. Construiu seu refúgio e altar no altíssimo, conheceu seu nome e a ele invocou, mas nada ocorreu... e assim morreu.

Estes foram Os Sonhos de um Trovador Tolo, que aqui viveu entre nós, aqui sonhou e aqui amou quem nunca lhe amou de volta, nem sequer por um dia, hora ou minuto.

Aqui jaz na paz eterna um Hecatonquiro, com seus cem modos de amar, sem ser amado vagando no Tártaro… e venha a nós o vosso Reino.

✰ 1981 一 ✞ 2013

19 de Outubro de 2013
Wagner Correia

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Mais uma vez…

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E assim fui,
mais uma vez iludido,
à espera daquilo que nunca vem...

na chuva,
na solidão,
sem luva,
sem perdão,
nesse banco
de bengala e manco,
assim me sento,
assim me paro,
em meu assento
do meu enfaro,

De ti, jamais ter
de amar, jamais ser,
na chuva da dor,
na dor do amor,
e para sempre só!
sem nenhuma dó
de um tolo perdido
nesse mundo desprovido
de qualquer sentido
de honra e valor
e sem amor!

Só um tolo,
trovador tolo,
para crer nesse amor,
sem qualquer calor.

Desisto!
Não insisto!
chove sem parar!
lágrimas do amar!
para o além-mar,
da ilusão,
na ilha da solidão!

Adeus meu amor,
nunca a terei,
nunca me amou,
mas jamais esquecerei
daquilo que ficou:
Uma triste lembrança,
sem temperança,
daquilo que nunca foi,
mas poderia ter sido
aquilo que não foi,
perfeito e eterno!
Poderia ter ido!

Mas nunca foi,
nunca houve de ti,
amor puro em si,
optando pelo mais fácil,
com o elo mais frágil,
que logo romperá,
e logo se arrependerá,
Só que já terei morrido,
numa Ilha, estarei lá!
naquela onde naufraguei,
a ilha da solidão,
e será tarde demais...
pois atrasado cheguei…
para nunca mais…
morrer…

Wagner Correia
02/05/2013

domingo, 24 de março de 2013

O amor breve imaginado

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"...entre diversas possibilidades, futuros alternativos, situações e realidades paralelas. Constrói-se uma gama de realidades onde seus atos determinam, se aquela pessoa, estaria ou não com você. Cada decisão tomada, ação no presente, pode mudar completamente o curso de uma história. Um simples olhar, uma simples oportunidade, uma real ATITUDE determinará uma dessas realidades futuras paralelas. E apenas em segundos - instante rápido - todas possibilidades se abrem. A inércia da falta de oportunidade e atitude, deixa então para trás, todas essas milhares de possibilidades futuras. Mas se... e se... Nada tem... nada teve! E assim ela vai embora - as possibilidades - uma estranha ou o futuro, sem volta, sem segunda chance e final feliz. Neste sentido é correto crer que apenas existe o presente, e seu futuro faz-se agora. Nada é real, tudo é criado e projetado, até o seu futuro chegar e perceber que era apenas o seu presente atual: suas escolhas.

E assim ela vai embora... Quem? A esperança!

A espera de algo, a possibilidade futura de uma fatia de possibilidades de planos paralelos. É como um tubo, cilíndrico, onde sua circunferência compreende todas possibilidades e futuros possíveis, ao mesmo tempo, no presente; mas você escolhe apenas uma fatia dessa realidade, uma reta horizontal à sua frente. Criando sua realidade atual, enquanto as outras mais inclinadas e oblíquas, apenas interligam-se nesta realidade atual através do eixo central deste cilindro do centro deste tubo: seu eixo.

Cada escolha feita, cada atitude tomada é um "giro" ou "clique" destas retas planas inclinadas, alinhando-se horizontalmente e fixo ao eixo.

Então por assim, lá esta ela, sentada, parada, imaginada...
Então estou assim, aqui parado, sentado, imaginado...

Basta apenas levantar-se, perguntar-lhe o nome, o livro e o que estar a ler...
Basto-me a imaginar: em minha mente, levanto, converso e ao fim de nosso destino, trocamos contatos. Poderia acontecer assim, nesse platonismo é o melhor. Ir lá e correr o risco de outra realidade das diversas e milhares acontecer? E se uma delas for, tão e somente, ilusão? Levantarei e ao chegar perto dela, ignorarará e no máximo seria educada... faria o papel de tolo... Não! Hoje não!
O amor platonico só é bom assim: quando permanece no mundo das idéias! Se o realiza, perde sua imaginação e fantasia, seu sentido. Enquanto imaginado, posso dizer que poderia ter dado certo, que poderia ter amado e ela também. Poderiamos até ter iniciado algo grandioso, que futuramente, resultaria numa união para o resto da vida: um grande amor! Não, mas em verdade estou preso! Prefiro crer que em algum desses planos paralelos de possibilidades, eu estou feliz, bem e nunca tive medo de arriscar. Prefiro este ardil, imaginar muito além da realidade presente, e cada situação e lugar tornar-se-ia milhares de possibilidades platonicas a se imaginar.

Quem irá me acordar?
Quem me amara?
E da fantasia
sem mais elegia,
a matará?

Parece ficção, mas é real, latente e fantasioso: é a Matrix!"

Wagner Correia
25/03/2013

domingo, 22 de janeiro de 2012

Busca ao Eldorado

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Na ida em busca do Eldorado
Encontrei-me desolado,
Um pouco distante
Neste sonho inconstante,
Falhando nas consistências
Entre as coexistências;
*
Porque é difícil viver
E ainda mais compreender,
O do por que permanecer,
Coexistir e ainda crer,
Nessa busca do vale encantado?
Sentindo-se ainda determinado
*
Viver além da realidade,
É desejar a finalidade
Dessa conquista triunfante,
Não para o errante,
Desse tão procurado
Insólito Eldorado;
*
O Eldorado mascarado,
O sonho inacabado,
O coração imaculado
Alguém enganado,
O amor tão sonhado
O otimista desacreditado;
*
Totalmente desolado,
Mas ainda impulsionado
Pelo amor malogrado,
Mesmo ainda obstinado
Pelo sonho imaculado
Do sonhado Eldorado;
*
Uma busca sem fim,
Um crepúsculo de marfim,
Tantos ais mais de mim;
Em meu sangue carmesim,
Devem escorrer no marfim?
Quando terá um fim?

 

Wagner Correia
10 de Fevereiro de 2002

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Canto para Rita

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Meu amor imortal
Do poder surreal,
Invoco a ti
Meu louvor em si,
Mesmo tão longe de ti
Sinto-me tão perto, tão real.
        *
Que me faz criar ramificações,
No meu ser, transformações,
Nos nossos petrificados corações,
Anulando as imensidões
Do mal que atormentava,
E seu amor que esperava.
        *
Hoje, conquistar-te-ei!
Querer-te-ei!
E dar-te-ei beijos,
Em forma de cortejos,
Ao qual tanto almejo,
Do ávido e lúbrico beijo.
        *
Suplico em minhas teimosias
(imaginando seus fios de ouro),
Sem mais aleivosias
(imaginando a ti, meu tesouro);
Não deixe o hedonismo dominar,
E meu alento, abulia se transformar.
        *
Onde amo em pensamento,
Que devo propalar
O amor que sinto,
Do meu vôo infindo,
Na ânsia de achar
E a ti entronizar.
        *
Qual mundo amo?
Cada vez mais te gamo,
Mesmo só de olhar;
Fico a me questionar:
Meu sonhar te alcançará?
Meu amar te enaltecerá?
        *
Só de pensar,
Mesmo platonicamente,
Mesmo imensuravelmente,
Poderei isso suportar,
Pois meu amor é real
Pois meu amor é surreal.
        *
É imensuravelmente imortal;
Rita e Beatriz, Dinamene e Laura,
Meus amores e de Dante, de Camões e Petrarca;
Amor além da vida, madrigal,
Romperam o ser e estar;
Não vivi estes amores, mas sei o que é amar!
Compor como eles, um dia comporei,
E destes amores, um dia entenderei.

 

Wagner Correia
30 de Julho de 2001

Desejo Mórbido

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Lua cheia cobre-me como véu,
E meu ódio edifica-se até o céu.
Inolvidável prazer obscurecido,
Do amor mórbido reaparecido.
Prurido do prazer na vulva infecta,
Objeto da carne com a língua se detecta.
*
Pobres mortais pela carne escravizados,
Na vaidade sendo ópios obstinados,
O poder sepulcral que dominam na disputa,
Em suas mentes inerentes na carne de uma puta,
Em que fazem guarida das frustrações numa vulva;
*
Uma bela dama da qual teu belo corpo desejo,
Tua silhueta e teu sangue, almejo,
Usar-te-ia somente como apetrecho,
Sentir o ventre adentro, enquanto olha-me com horror,
E rasgar-te, ver teu sangue rubro escorrer em tua dor;
*
Sejas seduzida mais uma noite, no calor dos seus hormônios,
Sejas uma vítima sem cérebro, induzida pelos vários pseudônimos,
Estereótipos medíocres, mas que vulgares se atraem,
Em tuas realidades cheias de máculas que se esvaem.
*
Enojem-se de mim seres inferiores,
Mesmo que de atroz seja meu ato,
Os meus atos diante de tuas vidas ainda são superiores,
Mas tuas tristes mentes fogem ao fato
De que os próprios mortais ainda são os destruidores;
*
Vivam no medo de ir ao inferno,
Vivam no engodo de ir ao céu
E alcançarem o paraíso eterno,
E a dor da ilusão cobrir como um véu.
*
Mortais descartáveis, os uso,
Faço o que quero e depois fora os jogo,
Somente quem merece sou obtuso.
E no ódio em que punirei faço julgo
Mortais de grande espírito pouparei,
Morram lutando de pé, pois se ajoelhados, pisarei!
*

 

Wagner Correia
14 de março de 2001

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Carta de amor de um Plebeu à Condessa

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                    I

Condessa de amor sem fim,
Fazes o coração
Parecer um oásis em mim,
No deserto da solidão;
        *
Minha amada imortal,
Do meu amor surreal;
Corresponda ao amor imenso,
Anulando o sofrimento intenso;
        *
Condessa, desejo teu beijo
E se não agradas o cortejo,
Permita ao menos sonhar
E para sempre te amar.
        *
Tantos sonhos já tive,
Tantos mundos já estive;
Mas nada como esse amor inefável
À condessa em meu oásis infindável.

                     II

O destino fez te conhecer ali
Apaixonando-me quando te vi,
E fez nos olhos teus ver,
Meu amor por ti, que teu deve ser.
        *
Não sou nenhum conde
Nem tenho títulos de nobreza,
Mas se o espírito for à fonte
Iguala-se ao teu título de Condessa.
        *
És bela como uma Fada,
E dança no oásis em meio ao nada;
Dentro do meu coração,
Irradiante de tanta paixão.
        *
Sei que talvez ame outro,
Mas será que ele merece teu ouro?
Amor de ouro que em meu ser rutila
Resplandece a escuridão e a esperança ilumina.
        *
Ninguém te amará como eu,
Mesmo sendo uma Condessa, e eu, um plebeu;
Dai-me uma chance de te amar
E por ti sempre irei sonhar...

 

Wagner Correia
15 de Abril de 2001

domingo, 8 de janeiro de 2012

Cruzada no Mar

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Na proa de uma nau,
Na vasta espera do sinal;
Observo o levar das ondas,
Fito o ofuscar das sombras,
Na Cruzada dessa nau.
        *
Ignoto meu desejo ao mar!
De só querer alguém a amar;
Nesse devaneio de desejos,
As ondas dos seus cabelos;
Como o vento soprando o mar!
        *
Fito o horizonte além da visão,
Para que esse silêncio no olhar
Acalme a tempestade do coração;
Nessa Cruzada em meio ao mar,
Do seu amor, minha desilusão.

 

Wagner Correia
25 de abril de 2001

Um Plebeu

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Sei que não sou o único em sua vida
Mas não é isso que me intriga
E sim que sou um pobre plebeu,
Que busca a felicidade que se perdeu.
*
Vejo tantos nobres que disputam sua mão,
Mas é o que custa sonhar com o coração.
Sonhar de um infeliz e simples plebeu,
Poderia eu sonhar com o amor que desapareceu?
*
Cada instante que ouço sua voz bela,
Sinto-me envolto na mais plena realeza;
Mas o que eu posso esperar dela?
Uma Deusa tão refinada de beleza!
*
Um plebeu disputando o amor da princesa;
Ah, tudo parecem contos de fantasias!
Mas em mim tudo são apostasias;
Um plebeu e seu passado de tristeza.
*
Minha vida exterior pode ser de um plebeu,
Mas em  meu interior falta a simplicidade,
Possui força, mas o poder se excedeu,
E agora no exterior quer mostrar felicidade.
*
Fico infeliz em não poder ainda te ver,
Mais ainda em não poder te ter.
Não sei porque ainda tenho esperanças,
Nem sei se tenho mais lembranças.
*
Lembranças de um dia ter sido feliz em vida
Não me recordo, não consigo pensar em mais nada
Apenas nesta Deusa, mas não acredito em Fada!
E sim nesta princesa da fantasia, com amor seduzida.
*
Não quero perder-te jamais,
Mesmo que muitos lutem mais,
Estarei sempre ali te querendo,
E por sonhar, te amando.

Wagner Correia
29 de Janeiro de 2001

sábado, 7 de janeiro de 2012

De cima de um prédio

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Observo até o limite da visão,
...em cima de um prédio, no topo...

Entre meus dedos tenho uma rosa,
vermelha, rubra da cor do meu sangue,
que escorre por entre os dedos.
Um espinho furou-me,
e transpassou-me,
dói muito, mas não por fora,
o corte é pequeno não aparenta nada,
súbito sobe-me uma raiva,
induz-me a jogar a rosa,

...de cima do prédio, no topo...

Quase não há vento,
então posso observar atento,
a rosa a cair,

...de cima do prédio, do topo...

Uma gota de sangue a cair,
junto a rosa quando a jogo,
o sangue a cair,

...de cima do prédio, do topo...

a rosa a cair,
em um devaneio sem fim.
o sangue a cair, a rosa cair,
minha vida a Cair, a Dor a emergir,
observo a rosa cair,
cada vez mais longe,
distante, e o sangue escorre.
Ainda a vejo cair,
sem ao meu olhar fugir,

...de cima do prédio, de um topo...

existem pessoas abaixo,
em direção a elas,
...a rosa a cair,
no mesmo tempo em que
meu coração bate,
a rosa por fim cai,
e alguém assiste de longe,
a queda da rosa,

...de cima do prédio, do topo...

uma dama pega a rosa,
sente seu perfume inebriante,
e olha para cima,

...para cima o prédio, o topo...

ao longe me olha,
em um gesto, convida-me a devolver
a rosa que caiu,
ainda posso ver mesmo ao longe,
a rosa e a mulher,
e rutilantes raios de luzes entre ambas,
a rosa que caiu e a dama que sorriu,
desenhando em mim o amor inda,
permanecido pela esperança ainda.
Talvez pegue a rosa de volta,
talvez a cheire novamente,
mas meu sangue escorreu,
caiu e ninguém percebeu,
esvaiu-se no ar.
Precisa sacrificar,
derramar sangue,
para anular este fadário.
Irei, para a rosa pegar,
a rosa que caiu,

...de cima de um prédio, do topo...

e convidar a dama,
de um gesto tão generoso,
a comigo apreciar,
o horizonte até o limite da visão,
e talvez me animar,

...de cima de um prédio, no topo...

e ter em minhas mãos,
a rosa,
e também entre minhas mãos,
outra mão,
de pele lisa igual à seda
e ali ficar,
observar,
e a solidão
a jogar,

...de cima de um prédio, do topo...

para onde ninguém possa alcançar.

Wagner Correia
7 de fevereiro de 2001

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Lorde do amor inefável


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Todas as noites eu observava,
Não a lua em si que encantava
Apenas um senhor vestido como um lorde;
Ao menos aparentava alguém rico e de sorte!
        *
Todas as noites com um ritual infindável
Sentava-se com um perfume inefável;
Roupas sempre de décadas passadas
Talvez por trazer lembranças afastadas.
        *
Todos riam do senhor por seu traje
Sempre vestido com seu belo fraque;
Mas tinha sempre um bom humor,
Sempre falava muito sobre amor.
        *
Diziam que ficou louco de repente,
Devido o grande amor estar ausente;
Muitos anos atrás tivera um grande amor,
Alguém com uma pele que parecia de tussor;
Mas algo trágico aconteceu e seu amor desapareceu...
        *
Uma vez sentei-me ao seu lado
Para entender o seu fardo;
Disse-me que sentava na mesma hora ali, sempre,
Tentando falar com sua amada com a mente;
Sempre vieram ver a lua ali, até que ela faleceu...
        *
Subitamente sua utópica vida mudou,
Um caminho de solidão se consolidou;
E para se lembrar da sua amada,
Vinha ali tentar ouvir a Dança da Fada;
Dizia-me que sua mulher se tornou uma Fada...
        *
Seu amor era tamanho e inebriante
Que acabava sendo contagiante,
Ele sonhava em um dia naquele lugar
Ela voltar, e com ele o Ballet da Fada dançar...
E juntos, em seu melhor traje, voar,
Para a terra do nunca, e nunca mais voltar...

Wagner Correia
15 de janeiro de 2001

Chuva Seca

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Ando sozinho vago pela terra,
Nada conforta meu coração
Nem mesmo minha quimera;
Nesse devaneio sem fim,
Nesse escárnio da vida em mim,
Nada conforta a imensidão;
Alimenta-se de forma sutil,
Do meu sonho infantil.
        *
Amor imortal que mata o meu ser,
Saia de mim, deixe-me viver!
Mesmo que venha a sofrer...
...só quero andar sem parar,
...Sem rumo, sem lugar ou fim.
        *
Destino, guia-me e indica-me
O caminho do qual seguir,
E dizei-me o seguinte porvir
Do que fazerdes no fim;
Nessa caminhada de ilusões,
Nesse comboio de desilusões,
Na cruzada no abismo de vastidão,
Imensidão, precipício de sonhos.
        *
Na ponta do precipício estou a olhar,
Nos sonhos estou a me jogar;
Nesta última esperança intrínseca,
Inerente ao meu infeliz sonhar;
Nessa chuva fria e seca,
Que faz o horto de sonhos regar.
        *
Essas linhas não dizem nada,
Esse fraseado ilusório não representa nada,
Este sonho por esta busca,
Essa Deusa que me persegue
Nos meus sonhos de noite,
Não diz nada só está à atormentar.
        *
Parem! Eu vos imploro, deixe-me viver sem isso;
Se é que isto é viver...
Apenas me deixem em paz!
O que querem dizer através de sonhos?
Em ilusões belas ou pesadelos enfadonhos?
Até em meu lar vêem à assombrar;
Deixem-me só, como nasci, como vivi,
Como sofri, como senti em mim...
Se é que isto é querer...
                *
Na linhagem que termina,
Nesse ódio que fulmina,
Nessa tempestade de chuva seca;
Chuva de agulhas em meu peito,
Desafiando o meu preito
E que a minha única defesa
Tenho as palavras por escrever,
Onde exponho o que sinto,
E ninguém entende!
Só comenta e não compreende.

Wagner Correia
23 de abril de 2001

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Lobo Insano

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Farejando teu néctar profano
Como um lobo insano
De desejo mundano,
Da carne fresca necessitando;
De noite, caçando a alma do puritano.

Lobo da noite profana,
Com seu uivo declama,
O cheiro que me inflama;
Farejando seu desejo,
Como forma de cortejo.

Querendo seu beijo,
Algo que tanto almejo;
Mesclando o profano,
Ao desejo humano;
Do sentir soberano.

Seu cheiro lúbrico
Induz-me ao pútrido;
No instinto animal
De um Lobo abissal;
Nesta noite madrigal.

Avidez pérfida da veleidade,
Anátemas da imortalidade,
Apostasia no amor de verdade;
Procuro-te à noite mundana,
Na noite da bruma profana.


Wagner Correia
18 de maio de 2001

domingo, 1 de janeiro de 2012

Estátua Inalcançável

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Tantas dores, senão no sofrer!
Das guaridas dos eloqüentes,
Os gananciosos descontentes,
Exasperados! Senão no viver!
        *
Fizeram-me mausoléus de dores;
Estátua de pedra fria,
O estóico bardo de elegia,
Talhando pedras em meus amores.
        *
Esperar o que da Fortuna, senão a dor,
Essa vida nada tem, nada tevê!
Clamar a Eros esse alento, senão o amor.
        *
Afrodite enche-me de nula esperança,
E minha maldição não deteve,
Tornei-a uma estátua que ninguém alcança.
        *


Wagner Correia
06 de Julho de 2001

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ninfa que de tão longo amor subiste!


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Ninfa que de tão longo amor subiste!
Dos teus fios dourados a luz resplandece,
Junto a teu sorriso que na luz enaltece,
Anulando o semblante do homem triste;
        *
Enaltece a chama do dragão,
Que avança para te alcançar,
Voando veloz, para logo chegar,
Antes que seja mais uma ilusão;
        *
Subiste tão longe do olhar,
Que o ser comum não pode vislumbrar,
Nem se aquecer da chama que me inspira;

Pois de Dragão a Rei, transformarei,
Onde ao vosso encontro, irei,
Dar o coração que por ti suspira.

Wagner Correia
17 de Julho de 2001

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O lugar da bela

Luthien Dancing, by Ted Nasmith
Por onde andas bela,
A quem tanto aclamo;
Por onde pisas bela,
A quem tanto procuro;
Por onde vives bela,
A quem tanto vivo.
    *
Tu andas em meu coração na floresta,
Junto do meu amor por ti;
Onde meu coração em ver-te faz festa,
E ele mostra o que senti;
Em que essência é esta,
A essência é a paixão que senti por ti.
    *


Wagner Correia
20 de abril de 2000

sábado, 17 de dezembro de 2011

A mulher dona dos pensamentos e sonhos

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Em meus sonhos imagino vitória,
Em minha mente a planejo;
Nos meus sonhos não existe discórdia,
No meu pensamento desejo;
Nas minhas ilusões contemplo,
Na vida eu tento.
*
Minha mente está perturbada,
Meu coração está contemplando;
Minha cabeça não pensa em mais nada,
Meu amor está aguardando;
Na minha mente uma mulher é visualizada,
No que faz minha razão ser banalizada.
*
A quem devo tudo isso
Na mulher almejada!
Amor e Ódio são distorcidos
Na mente apaixonada;
Os pensamentos estão confundidos,
Por uma mulher privilegiada.
*
Ó redentora dos pensamentos e sonhos!
A ti é a quem suplico,
Meu coração já não liga aos outros,
Tu és a única a quem ligo;
Óh dei-me paz aos meus pensamentos,
E responda ao amor não correspondido.


Wagner Correia
13 de março de 2000